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domingo, 2 de maio de 2010

Análise do filme ANTES DE PARTIR

Adriane Maranho

Carter Chambers (Morgan Freeman) é um homem casado, que há 46 anos trabalha como mecânico. Submetido a um tratamento experimental para combater o câncer, ele se sente mal no trabalho e com isso é internado em um hospital. Logo passa a ter como companheiro de quarto Edward Cole (Jack Nicholson), um rico empresário que é dono do próprio hospital. Edward deseja ter um quarto só para si mas, como sempre pregou que em seus hospitais todo quarto precisa ter dois leitos para que seja viável financeiramente, não pode ter seu desejo atendido pois isto afetaria a imagem de seus negócios. Edward também está com câncer e, após ser operado, descobre que tem poucos meses de vida. O mesmo acontece com Carter, que decide escrever a "lista da bota", algo que seu professor de filosofia na faculdade passou como trabalho muitas décadas atrás. A lista consiste em desejos que Carter deseja realizar antes de morrer. Ao tomar conhecimento dela Edward propõe que eles a realizem, o que faz com que ambos viagem pelo mundo para aproveitar seus últimos meses de vida.
http://www.adorocinema.com.br/filmes/antes-de-partir/antes-de-partir.asp#Sinopse


O filme conta a história de Carter, um mecânico negro, e Edward, um empresário branco, que passam a se conhecer após adoecerem e serem internados no mesmo quarto de enfermaria.
O hospital era de Edward, o empresário que na época da construção do mesmo ordenou que não construíssem quartos individuais, todos deveriam ter dois leitos, em formato de enfermaria. Tudo por medida de economia. Porém, ao descobrir que estava com câncer e ter que ser internado para o tratamento, exigia um leito só para si, o que não foi possível, uma vez que todos os leitos eram duplos. Sendo assim, foi colocado no quarto junto ao mecânico que, apesar de ser um homem simples, era inteligente e bem humorado.
Durante o período que passaram hospitalizados e sofreram intervenções cirúrgicas, na ausência de Psicólogos e recebendo visitas familiares em intervalos curtos de tempo, os dois enfermos encontraram uma maneira bem humorada para driblar a dor e a angústia propiciada pelo câncer. Criaram estratégias de boa convivência. Contavam histórias, faziam brincadeiras, enfim, riam e tentavam se “divertir”, apesar das circunstâncias.
Consciente da gravidade do problema que estava vivendo, Carter lembrou-se da “lista da bota”, que nada mais é do que a lista de desejos, comentada por um professor de filosofia na faculdade. Tal lista foi descoberta por Edward, que propõe que realizem os desejos nela relacionados, a fim de aproveitar seus últimos meses de vida. Então, assim que manifestaram melhora, os dois iniciaram tal façanha viajando pelo mundo vivendo aventuras, antes só pensadas.
Em relação ao período de hospitalização, o que vimos através das imagens cinematográficas foi um modelo médico denominado BIOMÉDICO. Isso quer dizer que a figura desse profissional apresentava-se sempre com uma fala direta e objetiva. Sua postura era rígida. Dava a notícia da doença e dos procedimentos de forma dura. O mesmo ocorria com a equipe de apoio (enfermeiros entre outros) que entravam e saiam da sala sem dar muita atenção aos pacientes, apenas realizavam os procedimentos. Desse modo, é pertinente dizer que a atuação dos profissionais funciona de modo multidisciplinar, ou seja, cada profissional trabalha sob a ótica da sua função, sem manter inter-relação com os demais profissionais e pacientes e/ou familiares.
O filme mostra um hospital bem equipado para atender pacientes com doenças como o câncer, porém carente de profissionais humanistas que percebam o ser humano como um ser individual, dotado de sentimentos, emoções, ou seja, um todo, que merece ser tratado em sua plenitude e jamais ser visto como um coração que funciona mal, um cérebro canceroso, um rim paralisado etc.,
Isso posto, percebemos como a ausência do modelo BIOPSICOSSOCIAL afeta o bem-estar psíquico dos pacientes, no caso em questão, de câncer, que tiveram de enfrentar as dores, as crises, o trauma cirúrgico (pré e pós) sem a presença da família e de profissionais que oferecem algum tipo de apoio, no caso, o Psicólogo Hospitalar. Ao contrário, os pacientes ficaram acamados à mercê dos funcionários que entravam e saiam do quarto, mais para atender de modo técnico do que para atender a um “chamado” do paciente.

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